Viva a tecnologia. Email, orkut, mp3, jpeg, blog (blog é massa)... E se a tecnologia nos levasse a um mundo em que não precisássemos sair de casa para estudar, trabalhar, exercitar ou qualquer outra tarefa dispendiosa para quem não gosta de ficar longe do "lar doce lar". É isso e muito mais que dois filmes vistos nessas últimas noites de férias de verão: "Substitutos" (título original "Surrogates", 2009) e "Gamer" (2009).

"Substitutos" filme de ação com o especialista em representar agentes (policiais ou federais), Bruce Willis, cheio de marra e obstinado por uma causa, quando todos não lhe dão crédito. Willis possui um robô controlado de seu apartamento ao ligar-se numa poltona computadorizada com diversos "trequinhos" colocados na cabeça. Seu "substituto" usa cabelo louro e jogado para o lado, no estilo emo, e muito mais jovem que o Agente Greer real (Greer é o nome do personagem). Aliás essa é a ideia do robô, aparentar juventude, agilidade, beleza e sensualidade enquanto seus controloadores engordam e envelhecem. O que desgostei foi um dado utópico ao afirmarem no início do longa que 98% da população mundial já possui um substituto, quando hoje quase 20% dos 6 bilhões de humanos passam fome espalhados pelo planeta. Imagine maior parte dos haitianos, africanos e mesmo brasileiros de baixa renda, que mal possuem onde colocar um sofá, com uma poltrona que controla um robô. Inverossímil. Tirando esse dado estatístico "meia-boca" a história é envolvente. A história começa com o assassinato de um substituto controlado pelo filho do criador dos robôs, nisso surge uma arma desconhecida que não só destrói a máquina, mas também faz o cérebro do controlador estourar. Uma loucura. É aí que entra o FBI, com os agentes Greer e Peters (Radha Mitchell), entram no caso para investigar a bagunça feita. O suspeito é um homem que mora junto a grupo de anti-substitutos, pessoas que não aceitam a dominação dos robôs e se isolam em uma pequena parte da cidade. Um gueto controlado por um sujeito de cabelo rastafari, uma figura, cuja pregação intensa à autonomia humana é considerada loucura pelos controladores de Surrogates. É só isso que posso contar, não gosto de estragar o prazer dos outros com a expectativa de um filme, mas garanto que o longa é bom e faz-nos pensar nos rumos da tecnologia e as relações humanas.

Já em "Gamer" as relações humanas são postas à prova numa batalha interminável pela sobrevivência, diversão e prazer. Neste filme também há controladores, mas não há máquinas, e sim pessoas de carne e osso que se submetem a uma mutação neural, para com isso serem controlados por outras, as quais pagam fortunas para terem um personagem virtual, que executa de ações normais (andar, correr...) às mais bizarras. Nisso há dois jogos: o Society, jogo semelhante ao Second Life; e o Slayers, como os jogos de primeira pessoa de batalha campal com muita violência e sangue. Os personagens desse último são prisioneiros, os quais lutam pela liberdade se permanecerem vivos em trinta sessões do jogo. O protagonista, Kable, soldado acusado de assassinar outro durante um programa de mutação genética do exército americano (sempre eles, algo semelhante acontece no "Substitutos") resiste à penúltima batalha, mas antes da definitiva há complicações, que é claro não contarei para não estragar a surpresa do clímax do longa metragem. Posso adiantar, no entanto, que também há um grupo contrário a esses jogos e ao império de Smith, criador dos jogos e quem lucra milhões com o controle dos outros, além de incontáveis cenas de sangue espirrando na tela, pois os produtores são os mesmos de "Adrenalina", Mark Neveldine e Bryan Taylor.
Os dois filmes nos fazem pensar nas relações humanas e os computadores. Cada vez estamos mais isolados diante de nossas máquinas, em redes de amigos quem a maioria não vemos pessolmente há anos. Presos às necessidades virtuais. Olhar email todos os momentos, visitar Orkut cada vez que se passa na frente de uma máquina ou deixar de estudar, passear, ir à praia para "navegar". Gosto de informática, mas não a ponto de escravizar-me ou manipular alguém por meio da tecnologia. Então, se não quiser ler o meu blog todos os dias, fique à vontade, entretanto, de vez em quando, seria legal.
"Força Sempre!"
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