sábado, 30 de janeiro de 2010

Eterno filho


Acabei de ler o livro "O filho eterno" de Cristovão Tezza (Recorde, 2009, 8ªed.) e coloquei-me no lugar do protagonista. Este com quase trinta, pouco se considera gente e com um filho nos braços. Até, então, sem problemas, um filho não é o fim do mundo, mas uma criança com síndrome de Down, é de se desesperar. Foi o que o personagem fez, evitando demonstrar, pois seria sinal de fraqueza mostrar desespero. Eu já arrancaria os cabelos só com a ideia de um filho neste momento, ainda mais uma criança necessitando de cuidados especiais. Só não cortaria os pulsos em consideração à patroa, mas viveria pilhado.

Não menos aparenta o personagem central da narrativa, o qual é o próprio Cristovão Tezza, revivendo os momentos que antecedem o nascimento de seu primogênito Felipe e reminiscências dos tempos de juventude: a viagem pela Europa como mochileiro, a passagem pela marinha, o tempo em que viveu em uma comunidade alternativa e as leituras que influenciaram sua forma de escrever. Contudo o mais empolgante são as cenas das dificuldades de criar Felipe. Desde a confirmação da doença, quando ainda bebê até as noções distorcidas de tempo, típicas de quem é vítima desse distúrbio genético. O que mais choca no início é a torcida (velada para os outros) do pai pela morte do filho, pois crianças com essa síndrome possuem o coração frágil, o qual os leva ao óbito cedo. Outras passagens chocantes são apresentadas quando o pai alega que o filho não será alguém de verdade, um dependente por toda vida, um golpe na autossuficiência pregada pelo personagem.

Tanto orgulho com pitadas generosas de arrogância levam Tezza a escrever sobre sua própria história de vida, mas sem se referir à primeira pessoa. Com categoria, o narrador não é o autor. Não é uma obra autobiográfica, caso o leitor não saiba que Cristovão Tezza viajou como mochileiro por Portugal e Alemanha; que tornou-se doutor em Letras e que reside em Curitiba, lecionando até pouco tempo na UFPR. É um romance, cuja definição, para mim não interessa, mas que é uma leitura hipnotizante, pois não se imagina o desfecho, contudo não é uma leitura piegas com bordões de autoajuda. São relatos de vida sem didática moralista ou sentimententalismo exagerado. Os mais românticos podem até considerá-lo frio, porém o narrador é realista ao apresentar os pensamentos do pai em relação ao seu eterno filho. Uma maneira de isentar Tezza da "culpa" de ter sentimentos e constatações tão cruéis em relação ao rebento vitimado pelo excesso de cromossomo 21 ("Síndrome de Down ou Tricossomia 21 é um distúrbio genético causado pela presença de um cromossomo 21 extra total ou parcialmente", segundo a Wikipédia, enciclopédia digital dos práticos e preguiçosos, hehe).

Não sei dizer se é um romance autobiográfico ou se uma autobiografia ficcionada (como alguém definiu), apenas li um ótimo livro e me vi no personagem, não como leitor de grandes gênios da literatura ou desejoso de ser escritor (nem sei se levo jeito prá coisa, escrevo por lazer), no entanto, como um sujeito meio "perdido no mundo", dadas algumas convicções que não agradam a maioria, sem contar minhas fugas a convenções sociais as quais prendem a outros de maneira desconfortável. Por exemplo, nossa (minha e de minha esposa) opção por não termos filhos tão cedo. É mais do que uma opção é uma necessidade, pois uma nova vida requer muitos cuidados e sacrifícios, além do mais perderemos nosso "status" de eternos filhos. Afinal, como já escreveu Edgard Scandurra, do Ira: "Se meu filho nem nasceu / Eu ainda sou o filho / Se hoje canto essa canção / O que cantarei depois?" Caso arrume tempo para cantar com tanto para se preocupar (rimou, eca!).



"Força Sempre!"


sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Marionetes do futuro

Viva a tecnologia. Email, orkut, mp3, jpeg, blog (blog é massa)... E se a tecnologia nos levasse a um mundo em que não precisássemos sair de casa para estudar, trabalhar, exercitar ou qualquer outra tarefa dispendiosa para quem não gosta de ficar longe do "lar doce lar". É isso e muito mais que dois filmes vistos nessas últimas noites de férias de verão: "Substitutos" (título original "Surrogates", 2009) e "Gamer" (2009).



"Substitutos" filme de ação com o especialista em representar agentes (policiais ou federais), Bruce Willis, cheio de marra e obstinado por uma causa, quando todos não lhe dão crédito. Willis possui um robô controlado de seu apartamento ao ligar-se numa poltona computadorizada com diversos "trequinhos" colocados na cabeça. Seu "substituto" usa cabelo louro e jogado para o lado, no estilo emo, e muito mais jovem que o Agente Greer real (Greer é o nome do personagem). Aliás essa é a ideia do robô, aparentar juventude, agilidade, beleza e sensualidade enquanto seus controloadores engordam e envelhecem. O que desgostei foi um dado utópico ao afirmarem no início do longa que 98% da população mundial já possui um substituto, quando hoje quase 20% dos 6 bilhões de humanos passam fome espalhados pelo planeta. Imagine maior parte dos haitianos, africanos e mesmo brasileiros de baixa renda, que mal possuem onde colocar um sofá, com uma poltrona que controla um robô. Inverossímil. Tirando esse dado estatístico "meia-boca" a história é envolvente. A história começa com o assassinato de um substituto controlado pelo filho do criador dos robôs, nisso surge uma arma desconhecida que não só destrói a máquina, mas também faz o cérebro do controlador estourar. Uma loucura. É aí que entra o FBI, com os agentes Greer e Peters (Radha Mitchell), entram no caso para investigar a bagunça feita. O suspeito é um homem que mora junto a grupo de anti-substitutos, pessoas que não aceitam a dominação dos robôs e se isolam em uma pequena parte da cidade. Um gueto controlado por um sujeito de cabelo rastafari, uma figura, cuja pregação intensa à autonomia humana é considerada loucura pelos controladores de Surrogates. É só isso que posso contar, não gosto de estragar o prazer dos outros com a expectativa de um filme, mas garanto que o longa é bom e faz-nos pensar nos rumos da tecnologia e as relações humanas.

Já em "Gamer" as relações humanas são postas à prova numa batalha interminável pela sobrevivência, diversão e prazer. Neste filme também há controladores, mas não há máquinas, e sim pessoas de carne e osso que se submetem a uma mutação neural, para com isso serem controlados por outras, as quais pagam fortunas para terem um personagem virtual, que executa de ações normais (andar, correr...) às mais bizarras. Nisso há dois jogos: o Society, jogo semelhante ao Second Life; e o Slayers, como os jogos de primeira pessoa de batalha campal com muita violência e sangue. Os personagens desse último são prisioneiros, os quais lutam pela liberdade se permanecerem vivos em trinta sessões do jogo. O protagonista, Kable, soldado acusado de assassinar outro durante um programa de mutação genética do exército americano (sempre eles, algo semelhante acontece no "Substitutos") resiste à penúltima batalha, mas antes da definitiva há complicações, que é claro não contarei para não estragar a surpresa do clímax do longa metragem. Posso adiantar, no entanto, que também há um grupo contrário a esses jogos e ao império de Smith, criador dos jogos e quem lucra milhões com o controle dos outros, além de incontáveis cenas de sangue espirrando na tela, pois os produtores são os mesmos de "Adrenalina", Mark Neveldine e Bryan Taylor.

Os dois filmes nos fazem pensar nas relações humanas e os computadores. Cada vez estamos mais isolados diante de nossas máquinas, em redes de amigos quem a maioria não vemos pessolmente há anos. Presos às necessidades virtuais. Olhar email todos os momentos, visitar Orkut cada vez que se passa na frente de uma máquina ou deixar de estudar, passear, ir à praia para "navegar". Gosto de informática, mas não a ponto de escravizar-me ou manipular alguém por meio da tecnologia. Então, se não quiser ler o meu blog todos os dias, fique à vontade, entretanto, de vez em quando, seria legal.

"Força Sempre!"







quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A dieta

Minha esposa inventou uma nova dieta. Inventou não, isso seria prepotente de minha parte, mas copiou da internet. Nada mirabolante. Frutas, verduras, legumes e carnes, distribuídos em quatro refeições ao dia. O importante é livrar-se do açúcar e da gordura. Da banha é fácil, agora do doce, quanto esforço. Em dois dias estava sonhando com bala de banana. Fiquei tonto. Quase um drogado em abstinência. Ah, ainda precisa caminhar 45 minutos, no mínimo, todos os dias para queimar as gordurinhas. Então, anda-se um pouco mais de dois quilômetros em passos acelerados. Às vezes, arrisca-se uma corridinha, bem corridinha mesmo, para não cansar muito. E, o mais importante, não comer após as 21 horas, prática comum em casa. Era , escrevi "era", passado imperfeito do indicativo, ação comum em tempo passado (espero cumprir isso por alguns meses) cachorro-quente, os diversos "X", pastel, entre outras coisinhas "saudáveis" e muito refrigerante. Eita! Melhor parar de citar esses venenos saborosos da culinária fast food e industrializada, pois corro o risco de voltar a empanturrar-me de gorduras e açúcares.
Não que esteja tão gordo, mas quinze quilos acima do peso ideal é um sinal de que a saúde precisa de um ajuste. Correr por muito tempo não consigo; canso-me com qualquer atividade diária; fazer abdominais, apoios, levantar pesos, nem pensar (já cansei); pressão alta, diabetes, labirintite, não que tenha essas encrencas, mas é bom evitar. E não é que dá certo, em cinco dias já perdi dois quilos, minha esposa também. Buscamos nos livrar, cada um, de quinze quilos para ficar no peso ideal, para tanto mais ou menos um mês dessa dieta braba. Depois vem embuste pior: manter o peso. Correr dois quilômetros distante de quaisquer gulosiemas, em nome da saúde e do bem estar.
"Força Sempre!"